quinta-feira, 14 de julho de 2011

COMPLICADO É MELHOR , SERA?
















Eu li este texto escrito pela Claudia Matarazzo (revista Avianca – edição 22/2011) e penso que ela foi muito feliz no escrever, segue:

COMPLICADO É MELHOR , SERA?

QUANDO SERA QUE A COISA COMEÇOU A COMPLICAR PARA FICAR MAIS CHIQUE?

Talvez tenha sido quando não bastava mais um simples cafezinho coado na hora, para transformar uma visitinha rápida em uma tarde preguiçosa e inesquecível jogando conversa fora. Maquinas de café surgiram, grãos especiais, moeduras únicas e, finalmente, o mix (ou blend, como preferirem) dos grãos. Pronto! O cafezinho coado, em pouco tempo foi reduzido a uma lembrança indesejável dos tempo de pobreza colonial. Será mesmo?

Pois preocupo-me quando leio uma matéria de pagina inteira de jornal dizendo que agora os bares e restaurantes estão procurando, encontrando, oferecendo e cobrando por... gelos especiais!!! Sim, amigo leitor, você leu certo!

Ha gelos especiais. Para conhecê-los é preciso colocar a pedra contra a luz (como fazem alguns pernósticos conhecedores de vinho). Se tiver pontinhos leitosos é porque é mais porosa e derrete fácil. É preciso encontrar a pedra com mais pressão, mais solidas e, portanto, produzidas com águas especiais, previamente fervidas. Só assim o tal gelo chegara a contento na a estação de bar (este é o nome atual para o bom e velho balcão onde se tomava uns tragos papeando com o garçom). Talvez eu esteja velha e ranzinza, Resistente a novidades tão interessantes que, afinal de contas, incrementam o mercado e fazem o dinheiro trocar de mãos. Mas gostaria de lembrar aos leitores mais afeitos a novidades, que aumenta a lista de produtos que sempre fizeram parte do nosso dia a dia de forma muito agradável e singela e que, subitamente, foram alçados a categoria de objetos de consumo maximo inacessíveis a ponto de nos privar de desfrutar suas qualidades originais. Vejam as águas: temos águas com os mais variados sabores, teores de gaseificação e, claro, preços. Temos até “bares de águas” em alguns estabelecimentos onde paga-se por uma garrafa de água o equivalente ao valor de uma dose de uísque importado.

E os paes? Desde que começaram a pipocar as padarias de luxo (nada contra elas) não pode se tomar mais tomar uma media simples com pão com manteiga. O cardápio de paes é tão variado que deixa a gente tonta: massa com chocolate, com amêndoas, com azeitonas, queijo, gergelim, pão ciabatta...Ufa!

A nossa branquinha agora virou cachaça para gringo consumir. Tem rotulo, marketing, e até orientação de consumo: algumas podem ser usadas para fazer caipirinha, outras nem pensar! Eu hem?!

Nada tenho contra o aprimoramento dos produtos. Mas não se pode perder o foco de que, café com pãozinho, drinques gelados, uma boa pinga, e até mesmo um bom copo de água gelada podem ser bons, raros, caros e sofiscadissimos. Mas perdem completamente o valor se não forem consumidos sem o seu complemento essencial: boa companhia, boa conversa, olho no olho e coração em paz.

Eu devo acrescentar neste texto, que precisamos entender melhor a razão dos alimentos, a razão de ir ao bom restaurante e felizmente a razão de estar com a família.

Ultimamente se é feito muitos “laboratórios” e “experimentos” com a alimentação, lembro-me quando todos os domingos na casa da minha mãe havia um bom espaguete ao molho de tomate com carne moída. Simples, gostoso, saudável, e com toda a família (italiana), rindo, contando historias da semana, mas todos ao entorno da boa e velha cozinha.

Tenham uma boa semana!
Hidalgo Dal Colletto.